{"id":1770,"date":"2013-08-13T12:10:59","date_gmt":"2013-08-13T12:10:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sustentar.net\/2015\/?p=1770"},"modified":"2013-08-13T17:47:40","modified_gmt":"2013-08-13T17:47:40","slug":"artigo-a-ecologia-no-brasil-e-o-desconhecimento-de-suas-possibilidades","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sustentar.net\/2015\/sem-categoria\/artigo-a-ecologia-no-brasil-e-o-desconhecimento-de-suas-possibilidades","title":{"rendered":"Artigo: A ecologia no Brasil e o desconhecimento de suas possibilidades"},"content":{"rendered":"<h2><em style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\">por Douglas B. Trent*<\/em><\/h2>\n<div>\n<p>O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Mais de 20% do n\u00famero total de esp\u00e9cies da Terra est\u00e3o em territ\u00f3rio nacional. No entanto, possu\u00edmos poucos ec\u00f3logos, o que resulta em um raso conhecimento das esp\u00e9cies que vivem em nossos parques nacionais, estaduais, Reservas Particulares do Patrim\u00f4nio Natural (RPPNs) ou quaisquer outras reservas naturais.<\/p>\n<p>\u00c9 importante diferenciar a ci\u00eancia da ecologia de outras ci\u00eancias como biologia, ornitologia, ictiologia, primatologia. Normalmente, esses estudos t\u00eam foco espec\u00edfico em grupos de esp\u00e9cies individuais. A ecologia \u00e9 uma ci\u00eancia mais ampla, que considera as intera\u00e7\u00f5es entre todos os participantes de ecossistemas, incluindo seres humanos. As universidades brasileiras est\u00e3o come\u00e7ando a estabelecer departamentos de ecologia, enquanto nos Estados Unidos esses programas j\u00e1 s\u00e3o comuns por mais de 30 anos.<\/p>\n<p>Se queremos fundamentar nossas for\u00e7as conservacionistas na ci\u00eancia, precisamos da ecologia. Uma pequena amostra dessa verdade foi al\u00e7ada nos anos 1980. Na Amaz\u00f4nia, foi observado como as \u00e1rvores de castanha-do-par\u00e1, a Bertholletia excelsa, s\u00e3o dependentes de diversas esp\u00e9cies de animais para a sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>O estudo demonstrou que o g\u00eanero de orqu\u00eddeas Coryanthes tem esp\u00e9cies que usam v\u00e1rios m\u00e9todos para atrair abelhas do g\u00eanero Eugolssine. Essas mesmas esp\u00e9cies de abelhas s\u00e3o polinizadoras de \u00e1rvores de castanha-do-par\u00e1. Quando as castanhas maduras caem das \u00e1rvores, est\u00e3o cobertas por uma casca redonda e dura, da qual apenas a cutia Dasyprocta azarae possui for\u00e7a para abri-la. As cutias se alimentam das castanhas e enterram peda\u00e7os ro\u00eddos, que guardam para buscar depois e acabam esquecidos na terra.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio ter orqu\u00eddeas de g\u00eanero Coryanthes para ter abelhas que polinizem flores da castanha-do-par\u00e1. \u00c9 preciso das \u00e1rvores para haver castanhas e s\u00e3o necess\u00e1rias esp\u00e9cies de cutias para que a castanheira continue brotando. Abelhas machos precisam do perfume dessas orqu\u00eddeas para atrair as f\u00eameas. As \u00e1rvores dependem das abelhas, mas o porqu\u00ea dessa depend\u00eancia ainda \u00e9 desconhecido.<\/p>\n<p>Apesar de sabermos que nas regi\u00f5es onde n\u00e3o existem essas flores, tamb\u00e9m n\u00e3o existem as abelhas e as castanheiras.<\/p>\n<p>E a\u00ed? Voc\u00ea pode se perguntar. Entretanto, a ind\u00fastria dessas castanhas gera cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos na Bol\u00edvia e, em torno de 28 mil fam\u00edlias dependem dessa ind\u00fastria. O New York Botanical Garden publicou que no Brasil cerca de 40 mil toneladas de castanhas foram produzidas em 1990. Somente da safra brasileira, em 1986, rendeu USD $ 5.773.228,00. E a Bol\u00edvia ainda continua como o maior produtor de castanha-do-par\u00e1 do mundo.<\/p>\n<p>Todo isso depende das orqu\u00eddeas, abelhas, castanheiras e cutias. Quem sabe o que ou quem mais precisa dessas orqu\u00eddeas, abelhas, castanheiras e cutias? Obviamente \u00e9 necess\u00e1rio o desenvolvimento de mais estudos cient\u00edficos ecol\u00f3gicos, mas faltam ec\u00f3logos no Brasil, assim como projetos ecol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Uma iniciativa pioneira come\u00e7a a ser desenvolvida neste ano: o projeto \u201cBichos do Pantanal\u201d. O Instituto Sustentar de Responsabilidade Socioambiental, juntamente com a Petrobras, coordena a iniciativa, que tem como meta pesquisar e proteger esp\u00e9cies da fauna do Pantanal, al\u00e9m de estabelecer um programa de educa\u00e7\u00e3o ambiental direcionado a escolas, turistas, pescadores e comunidades locais.<\/p>\n<p>Podemos e precisamos continuar com estudos sobre animais e esp\u00e9cies individuais e espec\u00edficos, mas precisamos muito de grandes projetos fundamentados na ci\u00eancia da ecologia, que documenta respostas e informa\u00e7\u00f5es para as grandes quest\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p><em>*\u00a0<strong>Douglas B. Trent<\/strong>\u00a0\u00e9 ec\u00f3logo, graduado pela Universidade de Kansas\/EUA. Coordenador do projeto \u201cBichos do Pantanal\u201d, pelo Instituto Sustentar. Criou a Reserva Ecol\u00f3gica do Jaguar, no Pantanal, e foi mentor de projetos de capacita\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de pantaneiros. Coordenador Internacional do Sustentar \u2013 F\u00f3rum Internacional pelo Desenvolvimento Sustent\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Artigo publicado originalmente no portal <a href=\"http:\/\/ow.ly\/nRla5 \">Envolverde<\/a>.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Douglas B. Trent* O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta. Mais de 20% do n\u00famero total de esp\u00e9cies da Terra est\u00e3o em territ\u00f3rio nacional. 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