Roberto Luciano Fagundes – Coordenador executivo do Sustentar 2013
Congestionamentos intermináveis, poluição, enchentes, calor. Esses são alguns problemas comuns no dia a dia de todos nós, que moramos na cidade. Segundo dados do Censo, em 2010, apenas 16% da população brasileira vivia em áreas rurais e a expectativa é que, até 2050, 70% de toda a população mundial esteja localizada em centros urbanos segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Isso significa que as cidades, que já estão em alto nível de expansão, continuarão crescendo expressivamente e, com elas, os problemas ligados à falta de planejamento urbano.
Para diminuir os contratempos ligados à vida urbana, empresários e gestores públicos, de vários lugares do mundo, têm investido na criação das chamadas Cidades Inteligentes. O tema, que será debatido no Sustentar 2013 nos dias 29 e 30 de agosto em Belo Horizonte, exige atenção. Criar Cidades Inteligentes significa planejar maneiras efetivas de facilitar e melhorar a vida dos cidadãos. Trata-se de investir na criação e apropriação de experiências internacionais que se adequem à realidade de cada local. Por exemplo, o investimento em ciclovias nas cidades com relevo plano é uma solução simples, mas que influencia diretamente na qualidade de vida, diminuindo a emissão de gases nocivos lançados por automóveis e incentivando a população a ter uma vida saudável com menos tempo gasto no trânsito. A criação de jardins e praças arborizados, com plantas variadas, além de ser uma opção de paisagismo, ajuda na regulação da temperatura e umidade local.
Instalar dispositivos para tratamento da água nos edifícios, utilizar materiais que evitam o aquecimento dos centros urbanos, construir canais de drenagem nas ruas e avenidas, realizar coleta seletiva de lixo também são soluções que ajudam a diminuir a poluição e a amenizar processos que interferem no meio ambiente (como efeito estufa, inundações, ilhas de calor). Porém, também há soluções mais simples, que podem ser realizadas sem grandes custos, pelos próprios moradores da cidade. Como, por exemplo, a instalação de locais de coleta de água da chuva para uso em atividades menos nobres, como lavar o chão ou regar as plantas. Ou construir ambientes com janelas grandes e sem cortinas, que ajudem na diminuição do uso de luz elétrica e na ventilação do ambiente.
Cidades Inteligentes são aquelas que permitem uma melhor qualidade de vida para a população com menos gastos, seja de tempo ou dinheiro. Existem várias alternativas, mas todas exigem planejamento. Para isso, tanto o poder público, quanto o poder privado e, principalmente, a população precisam se comprometer com a ideia. As mudanças não acontecem da noite para o dia. O primeiro passo é investir na divulgação dos ideais desse novo formato de cidade, para que as pessoas entendam o que são esses projetos e porquê eles podem melhorar sua qualidade de vida. Só assim passarão a exigir planejamentos urbanos inteligentes, construções sustentáveis e as coisas começarão a mudar no país. Qualquer lugar pode ser melhor planejado, independente do tamanho da população, do relevo ou de qualquer outro fator. Com estudo e pesquisa, com certeza é possível descobrir a melhor solução para uma determinada cidade.
Artigo publicado originalmente no Jornal Estado de Minas em 30-07-2013