15 de Outubro de 2015 Fundação Dom Cabral - FDC
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Fórum apresenta exemplos de construções que são modelo de sustentabilidade

Noticia publicada originalmente na Veja BH.

Evento que começa na quarta (7) tem ideias que apostam no ecologicamente correto

O bar Expresso 500 e a casa de Euler Cruz (no detalhe): a energia eólica garante o abastecimento nos dois endereços

O trem aqui é diferente.” A frase na entrada da casa de número 500 da Rua Frei Orlando, no bairro Caiçara, na Região Noroeste da cidade, indica que o cuidado com o meio ambiente no imóvel foge aos padrões convencionais. Ali, onde mora a família Guimarães e funciona o bar Expresso 500, o vento move turbinas de energia eólica, a luz solar alimenta uma usina fotovoltaica – que converte o calor em eletricidade -, a água da chuva é usada na lavanderia e na irrigação dos jardins, e os resíduos da cozinha se transformam em adubo para a horta orgânica. No bairro Cidade Jardim Taquaril, na Região Leste, outro exemplo de consciência ambiental: madeiras, telhas, tijolos, janelas e pisos utilizados para erguer a residência do engenheiro mecânico Euler de Carvalho Cruz foram recuperados de construções demolidas. No quintal, há uma miniestação de tratamento de esgoto com espaço reservado para a reciclagem de lixo e a biocompostagem de rejeitos. Considerados modelo para a redução do consumo de água e energia e gestão eficiente de resíduos, os dois casos serão apresentados no Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável (Sustentar 2014), evento que deverá reunir 5%u2009000 pessoas no Minascentro, na quarta (7) e na quinta (8).

 

No bar Expresso 500, até o cardápio tem espaço para opções ecológicas, como o refrigerante orgânico à base de guaraná e a farofa feita com sobras de talo de couve. Sob o comando do chef Bruno Guimarães, ervas e temperos cultivados na horta dão um charme especial aos pratos. “Nosso compromisso com o meio ambiente aumenta quando os clientes se interessam por nossas soluções e começam a copiá-las”, afirma o dono do estabelecimento, Edmar Guimarães. Com a adoção de medidas simples no bar e na casa da família, ele conseguiu diminuir o consumo de água, fornecida pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), em 60%. Na conta de luz, a economia média é de 40%. “Esse é o retorno financeiro, mas nossa motivação para mudar de atitude não é o dinheiro, e sim a vontade de fazer nossa parte pela preservação ambiental”, diz.

 

A rigor, ser verde custa caro. Morador do Cidade Jardim Taquaril, Cruz gastou cerca de 30%u2009000 reais para instalar alternativas ecológicas em sua residência. “A previsão de retorno do investimento é de oito anos”, comenta. A menina dos olhos do engenheiro mecânico é a usina fotovoltaica, a primeira domiciliar inaugurada em Belo Horizonte, que tem capacidade para produzir três vezes mais energia do que o necessário para abastecer sua casa. O excedente é repassado para a Cemig. “Eu recebo bônus que me permitem zerar a conta de luz da minha residência, do meu sítio e do apartamento da minha filha”, conta. Durante o Sustentar 2014, outras experiências, de várias partes do mundo, serão debatidas (confira a programação completa no site www.vejabh.com/sustentar). “Fornecer estímulo com base em modelos já testados é a nossa meta”, diz a coordenadora do fórum, Jussara Utsch. “Queremos inspirar pessoas, governos e mercados.” Cerca de 200 especialistas farão palestras e oficinas. A maior parte das atividades é gratuita, mas, para participar, é preciso se inscrever previamente.