Congestionamentos, poluição do ar, enchentes e elevação das temperaturas são alguns dos problemas que as cidades brasileiras enfrentam no seu cotidiano. De acordo com o Censo de 2010, mais de 80% da população brasileira vive em áreas urbanas e pouco mais de 15% continuam no campo. Em 2000, o percentual de pessoas que moravam no campo era de 81,2%. Em 10 anos aproximadamente 23 milhões de cidadãos saíram da zona rural.
De acordo com o coordenador do “Fórum Cidades Sustentáveis” – realizado no dia 08 de maio no SUSTENTAR 2014 – e gerente de Planejamento e Monitoramento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, Weber Coutinho, o crescimento populacional atrelado à ausência de planejamento urbano resulta em problemas estruturais e ambientais para os municípios. “Apesar das cidades ocuparem somente cerca de 3% da área do planeta elas são responsáveis por aproximadamente 70% das emissões de gases de efeito estufa. Isso nos mostra que o crescimento desorganizado dos municípios impacta negativamente em vários aspectos como meio ambiente, mobilidade urbana e outros”.
O primeiro tema deste fórum foi “Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas de Belo Horizonte”, com destaque para as ações do comitê que discute questões relacionadas ao clima na capital mineira. Na palestra, coordenada por Weber Coutinho e pela arquiteta e secretária Executiva do Comitê Municipal sobre Mudanças Climáticas e Ecoeficiência, Anna Maria Drumond Louzada, foram destacadas as medidas previstas no Programa de Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa (PREGEE), plano estratégico da Prefeitura de BH até 2030, que prevê uma redução de 20% da curva de emissões de gases de efeito estufa.
A gestão da energia e da água nas edificações também esteve na pauta. Para ilustrar, a doutora em química e professora do Centro Universitário Una, Elizabeth Duarte, apresentou o exemplo da primeira residência de Belo Horizonte que produz energia fotovoltaica e possui um contrato para geração e fornecimento de iluminação própria para a Cemig. Ainda neste contexto, o gerente de Sustentabilidade da Construtora Norberto Odebrecht, Wanderson Ferreira de Carvalho, mostrou o estudo de caso das unidades de escola infantil de Belo Horizonte, que adotam a política de não desperdiçar resíduos construtivos, como perda de tijolos, serragem, entre outros materiais.
Já o gerente de Desenvolvimento e Negócios do Processo AQUA, Bruno Casa Grande, falou sobre a Certificação AQUA de Bairros Sustentáveis. O objetivo foi demonstrar os critérios analisados pelo selo no que diz respeito aos processos de construção sustentável.
A preocupação com o meio ambiente dentro do contexto gastronômico também foi tema de debate. Para introduzir o assunto “Sustentabilidade em Restaurante” foi analisado o estudo de caso da Casa Gastronômica Expresso 500. O proprietário do estabelecimento, Edimar Teixeira Guimarães e o arquiteto urbanista Cyleno Guimarães apresentaram o tema. No local, situado no bairro Santo André, região leste de Belo Horizonte, foram instaladas ferramentas para proporcionar o uso racional dos recursos do restaurante. Entre elas a coleta e compostagem de óleo, plantio de alimentos utilizados nos pratos, captação da água da chuva e produção de energia solar (fotovoltaica) são algumas das medidas adotadas pelo empreendimento.
Os Correios discutiram o tópico “A nova onda: logística reversa e competitividade”. O objetivo foi mostrar como os processos operacionais dentro de uma organização devem estar alinhados a uma política sustentável, cuja proposta seja a redução do impacto ambiental.
Por fim, a Coordenadora de Políticas Ambientais da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza, Magda Helena de Araújo Maia, abordou as Políticas Ambientais e Sustentabilidade implementadas na capital do Ceará.
O SUSTENTAR 2014 – 7º Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável é realizado pelo Instituto Sustentar de Responsabilidade Socioambiental, com o patrocínio da Vale, Oi, Fiemg, Correios, Invepar, Samarco, Gasmig, Cenibra, Arcelor e Vallourrec.
Crédito das imagens: Gilson de Souza