15 de Outubro de 2015 Fundação Dom Cabral - FDC
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As empresas se preparam para a Lei de gestão de resíduos da Construção Civil

 Atentas à lei municipal 10.522/2012, construtoras de Belo Horizonte já adotam políticas de gerenciamento de resíduos. Sustentar 2013 vai debater o tema nos dias 29 e 30 de agosto, no Minascentro

Os impactos negativos causados pela disposição irregular dos resíduos sólidos e as perdas da construção civil são os maiores problemas enfrentados atualmente pela gestão urbana. A deposição irregular causa o esgotamento prematuro de áreas de deposição final, obstrução dos elementos de drenagem urbana, degradação de mananciais, poluição nas vias públicas, principalmente nas áreas periféricas, proliferação de insetos, roedores e outros organismos vetores de doenças, e o conseqüente prejuízo à saúde do cidadão e aos cofres públicos.

Para regulamentar as políticas de resíduos sólidos, a Lei Municipal 10.522/2012, que entra em vigor 28 de agosto de 2013, vai instituir o Sistema de Gestão Sustentável de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos (SGRCC) e o Plano Municipal de Gerenciamento Integrado de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos (PMRCC).

Rafael Tello, coordenador do Núcleo de Construção Sustentável da Fundação Dom Cabral (FDC) e palestrante do Fórum Construção Sustentável do Sustentar 2013, ao analisar o desenvolvimento recente da legislação, acredita que a pressão sobre as empresas da indústria da construção tende a aumentar, pois elas têm papel muito relevante no desempenho de um sistema de gestão de resíduos sólidos. “Estas ações devem ser vistas como investimentos, visando dar início a um processo de melhoria contínua, que abre oportunidades de ganhos para as empresas. Menos resíduos geram economia de custos, devido à menor necessidade de compra de materiais e componentes, e redução de gastos com disposição”, enfatiza Tello.

Muitas construtoras de Belo Horizonte saíram na frente da nova Lei. O Grupo EPO, por exemplo, vem aprimorando o gerenciamento sustentável dos resíduos produzidos em suas instalações. Por meio do Programa Desperdício Zero (PDZ), a empresa conscientiza seus colaboradores sobre a correta destinação dos detritos nos canteiros de obras. “Eles são segregados através da coleta seletiva em locais apropriados para reutilização/reciclagem, o que reduz a emissão de CO2”, destaca a gestora dos setores de Qualidade e Meio Ambiente da EPO, Nirliane Soares.

Com base na cultura de que “Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” e na polícia dos 3Rs – Redução, Reaproveitamento e Reciclagem, restos de madeira, metal e entulho, depois de processados, são utilizados como insumo na fabricação de novos materiais. Além disso, sacaria de cimento, gesso e argamassa também são reaproveitados.

Na MASB Desenvolvimento Imobiliário, o setor de Licenciamento e Controle Ambiental se dedica à gestão dos resíduos sólidos produzidos nas obras. Esse trabalho está em conformidade com a Política de Qualidade da empresa, que busca resultados sustentáveis em seus empreendimentos. Para isso, os colaboradores são orientados sobre a forma correta de segregação dos detritos para reciclagem, com base na classificação de cada um.

Nas obras, após a separação, eles são depositados em baias ou caçambas e, posteriormente, levados para as empresas licenciadas a recebê-los, priorizando a reciclagem e a reutilização. “Ao final do mês é gerado um relatório contendo todas as informações sobre as coletas feitas, tais como: transporte, destinação, classificação e licenças ambientais; esse registro é encaminhado aos órgãos ambientais responsáveis”, afirma a responsável pela área de Licenciamento e Controle Ambiental da MASB, Fernanda Ferreira Faria.

A gestão de resíduos traz benefícios ambientais, contribui para um planejamento mais eficaz na utilização dos materiais, além de reduzir o desperdício e propor a substituição das matérias-primas, visando à otimização dos recursos. “Essas atividades são revertidas em benefícios econômicos, como a redução de 20% no custo com caçambas nas obras, além de evitar a exposição do negócio aos riscos ambientais”, pontua Fernanda Faria. A MASB já realiza esse trabalho desde 2011. Os resultados são positivos e a empresa aplica a gestão de resíduos em vários canteiros de obras. Atualmente, a construtora está com 17 empreendimentos em andamento em Minas Gerais.

Fórum Construção Sustentável debate ações para o setor de construção civil no Sustentar 2013

O Fórum Construção Sustentável, que integrou a programação do Sustentar 2013 – 6º Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável, realizado no dia 29 de agosto, no Minascentro, Belo Horizonte.

O debate foi orientado pelo Coordenador do Núcleo de Construção Sustentável da Fundação Dom Cabral (FDC) Rafael Tello. Segundo ele, existem dois aspectos valiosos que serão levantados pela FDC, fundamentais para que as obras de desenvolvimento nacionais produzam resultados positivos no futuro: a parte da gestão corporativa e seu desenvolvimento para a promoção da sustentabilidade na construção e a importância do desenvolvimento da indústria de construção pesada (infraestruturas e construções de fábricas e indústrias).

Outros temas convergentes que completaram o ciclo do debate são os fomentos e desempenho de sistemas construtivos inovadores, questionamentos sobre a praticidade da gestão responsável na construção, oportunidades de negócios no contexto da sustentabilidade e os desafios e tendências da construção sustentável.

Na pauta do evento, foi incluída também a apresentação de produtos e soluções sustentáveis aplicadas à construção civil, especialmente em habitações populares, e para a redução do consumo de energia.