A nova versão das diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) para a elaboração dos relatórios de sustentabilidade foi tema de workshopp no Sustentar 2013. Além desse tema, também foram discutidos engajamento com Stakeholders e Integração de Relatórios.
De acordo com Gláucia Térreo, da Global Reporting Initiative (GRI), os relatórios de sustentabilidade dentro das diretrizes criadas pela organização podem auxiliar na competitividade. Eles já são adotados por milhares de grandes organizações no mundo inteiro. “Além de relatar os impactos positivos e negativos na sociedade, os relatórios auxiliam a reduzir gastos”.

Gláucia Térreo, coordenadora das atividades da Global Reporting Initiative (GRI) no Brasil - Foto Gilson de Souza
Desde 2007, Gláucia coordena no Brasil as atividades da ONG, sendo que uma de suas principais funções é disseminar as diretrizes GRI para elaboração desses relatórios. Ela explica que a ideia surgiu em 1997, nos Estados Unidos, com o objetivo de tornar os relatórios de sustentabilidade mais completos, incorporando as informações socioambientais dentro de uma estrutura padronizada internacionalmente. “Os relatórios financeiros sempre tiveram suas regulamentações, mas eles são apenas a ponta de um iceberg da atuação de uma empresa, e não são suficientes para se avaliar todos os seus impactos na sociedade”, comenta.
No Brasil, uma das empresas pioneiras na utilização das diretrizes GRI foi a Natura, no ano 2000. Em seguida, outras organizações como Samarco, Bunge, Vale e Usiminas foram também produzindo seus relatórios de sustentabilidade dentro dessa estrutura. Atualmente, mais de 200 empresas no país já adotaram o modelo. No entanto, Gláucia chama atenção que o desafio da ONG agora é estimular a adoção do GRI dentro das pequenas e médias empresas.
“Precisamos romper o mito que relatórios de sustentabilidade servem apenas para as grandes empresas. É verdade que uma organização de maior porte lida com uma complexidade de informações muito maior, mas o pequeno empresário pode relatar pontos que fazem parte de sua realidade, como a utilização de recursos naturais e relações de trabalho”, compara. Para ela, a produção de relatórios traz melhorias na gestão da empresa, já que permitem uma mensuração dos recursos gastos em sua linha de produção de bens ou serviços.
Gláucia afirma que outro ponto a ser considerado é o perfil do consumidor atual. “São pessoas que levam em consideração critérios ambientais, sociais e econômicos na hora de optarem por marcas e produtos que serão adquiridos. O atributo pode ser decisivo na escolha do cliente”.
Para Cyrille Bellier, fundador da consultoria de Responsabilidade Social Empresarial Rever Consulting, pioneira no Brasil em gestão e sustentabilidade, o que antes era preocupação de grandes empresas deve irradiar-se para as micro e médias organizações. “Os pequenos negócios são os que mais geram empregos e riqueza nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Diante disto, surgiu a necessidade de engajar todas as empresas como parte da solução para os desafios do desenvolvimento sustentável que enfrentamos no mundo”.
Bellier pontua que o alinhamento dos negócios por meio de trabalhos de estruturação e implementação de estratégias de sustentabilidade, engajamento de partes interessadas, comunicação e gestão de investimentos sociais são alguns dos desafios destas organizações. “Medidas simples como reutilização de matérias-primas ou materiais recicláveis no processo produtivo, captação de água da chuva e/ou reutilização de água processo de reciclagem de pilhas, baterias ou pneus ajudam a reduzir consideravelmente os custos e a tornar o produto mais competitivo no mercado”, detalha.